| ISBN | 978-65-5044-256-9 |
|---|---|
| Tamanho | 14×21 |
| Páginas | 144 |
| Acabamento | Brochura |
O anteparo
O passado é a rocha eterna que se ergue, com firmeza e consistência, contra o fluxo caótico deste presente virtual e frio, incompreensível e angustiante. O anteparo se opõe a esse caos e convida o leitor a submergir na rica Paraty de 1855 e a peregrinar pelo tempo numa cadência ritmada e intensa, como faria um pecador arrependido que, de prece em prece, busca mais a punição do que a salvação. Um lugar submisso à fúria dos elementos, que aguarda marés traiçoeiras lavarem suas ruas — palco de uma luta acirrada entre poderosos usineiros, dos quais se destaca David Gotardo, o mais ambicioso. Ele representa uma fonte de transtorno constante para os oligarcas locais por tentar modernizar o lugar e, além disso, por ser filho de escravizado. Uma obra que fala do passado, a única coisa certa que temos. Ele deve ser valorizado, lido e, acima de tudo, sentido. Em tempos movediços, a imersão histórica talvez seja uma das únicas vias que ainda temos para tapar os buracos da alma.
